
Seis matérias que abordam um assunto bastante delicado. A exploração sexual infantil é o tema da série ‘Juventude Vendida’, produzida e exibida pela Tv Correio durante esta semana em dois jornais.
Uma equipe de externa, foramada por seis profissionais, conseguiu apurar em várias cidades de todas as regiões da Paraíba depoimentos e flagrantes de chocar até as pessoas que trabalham em instituições de defesa da infância e adolescência. Foram três meses de trabalho intenso até que tudo ficasse pronto.
O objetivo da série ‘Juventude Vendida’ é alertar a população sobre a prática da exploração sexual, em todas as suas formas: seja pelo idoso que induz crianças a ‘brincadeiras’, seja pela prática do crime organizado por pessoas influentes na sociedade. São crianças e adolescentes levadas por diversos motivos a fazerem sexo em troca de dinheiro e/ou algum bem.
Segundo Kátia Dumont, uma das produtoras e editoras da série, durante todo o trabalho várias dificuldades foram encontradas, como por exemplo, obter dados sobre o assunto com conselhos tutelares e centros de referência. Mas também, houve gente disposta a unir forças para combater a exploração sexual, “encontrei parceiros nessa busca em denunciar o que acontece no estado, a exemplo do procurador do trabalho Eduardo Varandas, do chefe do núcleo de comunicação da PRF – o inspetor Genésio Vieira, a promotora da infância e juventude da Capital Soraya Escorel e de parentes de vítimas”, comenta.
Para quem vive longe da realidade, estar cara a cara com vítimas da exploração e não se envolver parece uma situação impossível. O repórter, Wendell Rodrigues comenta que acabou assumindo um compromisso subjetivo diante desses meninos e meninas. “Um compromisso moral! O fato de você ouvir, encarar, desenvolver um relato e transformar tudo isso em jornalismo é a maior, mais empolgante e incrível recompensa”, diz Wendell.
Sobre a construção de um texto que tenha o efeito desejado e chama a atenção da sociedade, o repórter ainda comentou que tudo começa in loco com observações ao longo do trabalho e vão sendo alteradas até que ele possa considerar ideal. Vários dias, várias semanas, foi o tempo que durou para finalizar os textos que integram a série, isso porque para Wendell não basta relatar o que foi visto em histórias incríveis e horríveis, é necessário discutir o assunto.
Quando questionado sobre os efeitos da série diante a sua exibição, o repórter afirma que o trabalho não termina com a veiculação e comenta ainda que este trabalho deva ser distribuído em DVD para escolas das 223 cidades paraibanas.
O projeto que deu vida a série Juventude Vendida recebeu menção honrosa no V Concurso Tim Lopes para projetos de investigação jornalística.


