terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cantoras Paraibanas

Gitana Pimentel, é um nome fácil de fixar. Assim como as feições de sua portadora. No entanto, não são apenas belos olhos verdes que fazem da cantora paraibana uma pessoa inesquecível. Ela tem uma voz doce e um talento nato para a música. Conhece bem os grandes da música popular brasileira, e também os pouco lembrados pela grande massa. Nascida em Patos, sertão do estado, desde pequena vive em meio a músicos e sabe o que é boa música. Com um jeitinho brasileiro e principalmente paraibano, Gitana se diverte ao cantar. Faz por amor e vive da música.

Lembro-me quando estava se formando em jornalismo perguntei o que ela faria dali pra frente. "Cantar!", ela respondeu sem exitar. Desde então Gitana não parou.

Foi convidada para integrar a banda do cantor Ton Oliveira (forró) e depois a banda do cantor sertanejo Léo Sttar. Não demorou e logo se aventurou pelo samba e suas vertentes, se encontrando e definindo de vez o estilo como sua particularidade. Com outros músicos campinenses iniciou a banda Amigos do Samba. Participou do projeto 7 Notas realizado pelo SESC de Campina Grande, com o show "Samba Anarfabeto", interpretando músicas do querido Adoniran Barbosa. Abriu o show do cantor e guitarrista Alex Cohen, também em Campina Grande.

Seu momento está voltado para a carreira solo e seu primeiro CD autoral intitulado "Enfim Só" traz um samba romântico e envolvente. Mesmo sem contrato com gravadora ela arriscou e com muito trabalho já colhe os louros da sua cria. Com grande satisfação e privilégio recebi suas músicas para audição e afirmo, um trabalho profissional da cantora que apresenta bom gosto e sonoridade bem definida. Músicas comuns a qualquer pessoa que tenha a sensibilidade de desfrutar da vida através dos bons sentimentos, como amor, amizade, alegria e até mesmo a desilusão. Não deixa a desejar e pode ser comparada a cantoras reconhecidas nacionalmente. Impossível não gostar!

Agora, as expectativas estão voltadas para o próximo dia 15 de janeiro, com toda certeza. A paraibana vai abrir mais um grande show, dessa vez o da cantora Ana Carolina, que estará em João Pessoa como atração do Estação Nordeste, realizado em João Pessoa. Sua apresentação está marcada para às 21h00, no Busto de Tamnadaré.

Muita novidade vem por ai. Enquanto isso, você pode conhecer um pouco do trabalho dessa jovem paraibana que vai longe. Posso adiantar que o resto do CD está no mesmo nível. Para baixar basta clicar no nome da música.



sábado, 18 de dezembro de 2010

Criando meu documentário

Olá, a partir de hoje estou de volta para escrever e documentar um pouco sobre os desafios de produzir um vídeo documentário.

Sou aluno do curso de Comunicação Social com habilitação em Rádio e Tv, da Universidade Federal da Paraíba. Desde 2006 estou na instituição e por motivos já profissionais tive que estender o curso por mais alguns semestres. Na verdade era para estar formado há um ano.

Gostaria de ter me formado agora em dezembro, mas as idéias e atividades se atropelavam a cada dia e por isso me perdi entre metas e objetivos. Comecei a fazer muita coisa ao mesmo tempo e acabei enchendo muito a cabeça. Depois de algumas sessões de terapia, acho que coloquei os pensamentos em ordem, conclui algumas atividades que precisavam ser finalizadas e ontem, sexta-feira, dei o primeiro passo para a produção do meu vídeo documentário.

Para que entendam, quero mostrar em meu vídeo histórias reais sobre pais que perderam filhos para o crime. Mortes violentas que desestruturam, que são inconsoláveis. No entanto, quero ir além não falar apenas de dor, perda, violência, sofrimento e impunidade. Quero mostrar como é se sentir só diante de um acontecimento que leva muitos a descrença na vida, na polícia, na justiça, em Deus. A importância do apoio psicológico e a necessidade de compartilhar a dor com quem passou pela mesma situação.

Ontem, fui a reunião de um grupo de pais e pessoas que perderam entes queridos da forma descrita acima. Acredite, são histórias de arrepiar. E o mais incrível é perceber que a dor compartilhada é mais eficaz que a sede de justiça ou vingança. A valorização da vida é bem mais importante que o lamento.

O encontro aconteceu no fim da manhã, no Centro de Apoio às Vítimas da Violência, o CEAV. Cerca de 20 pessoas se apresentaram de forma rápida e em poucas frases contaram o que as levaram procurar o grupo chamado, Mães na Dor. Percebi ali pessoas fortes que apesar da dor conseguiam externar um sorriso sincero e no olhar um brilho de esperança. Como se fossem acordar no dia seguinte e perceber que tudo não passou de um sonho. Esperança que a sociedade ainda seja civilizada e que os errados paguem pelos seus erros. Assim, eles querem atenção para que os processos sejam julgados e a dor alivie um pouco. Como disse dona Francisca, mãe de James, morto a pauladas e pedradas em 2008, "a dor da impunidade triplica a dor da perda"

Nessa reunião percebi o quanto é importante pra mim realizar este trabalho. De alguma forma vejo que posso ajudar contando essas histórias pro mundo. Tentando traduzir discursos que jamais devem ser calados, ou abafados.

Ainda não sei se será um curta, ou um longa-metragem, não sei se vai agradar aos professores presentes na minha banca, mas sei que vai agradar e muito a mim e esses pais que queremo gritar por justiça. Mais alto a cada dia.

Agora preciso me reunir com Flaviano Carvalho e decidir quando vamos começar a gravar. Eu quero fazer isso em janeiro. Sei que está perto, mas pra mim, quanto antes melhor.

É, acho que por hoje chega. Quero opiniões acerca deste trabalho. Conto com vocês.