Olá, a partir de hoje estou de volta para escrever e documentar um pouco sobre os desafios de produzir um vídeo documentário.
Sou aluno do curso de Comunicação Social com habilitação em Rádio e Tv, da Universidade Federal da Paraíba. Desde 2006 estou na instituição e por motivos já profissionais tive que estender o curso por mais alguns semestres. Na verdade era para estar formado há um ano.
Gostaria de ter me formado agora em dezembro, mas as idéias e atividades se atropelavam a cada dia e por isso me perdi entre metas e objetivos. Comecei a fazer muita coisa ao mesmo tempo e acabei enchendo muito a cabeça. Depois de algumas sessões de terapia, acho que coloquei os pensamentos em ordem, conclui algumas atividades que precisavam ser finalizadas e ontem, sexta-feira, dei o primeiro passo para a produção do meu vídeo documentário.
Para que entendam, quero mostrar em meu vídeo histórias reais sobre pais que perderam filhos para o crime. Mortes violentas que desestruturam, que são inconsoláveis. No entanto, quero ir além não falar apenas de dor, perda, violência, sofrimento e impunidade. Quero mostrar como é se sentir só diante de um acontecimento que leva muitos a descrença na vida, na polícia, na justiça, em Deus. A importância do apoio psicológico e a necessidade de compartilhar a dor com quem passou pela mesma situação.
Ontem, fui a reunião de um grupo de pais e pessoas que perderam entes queridos da forma descrita acima. Acredite, são histórias de arrepiar. E o mais incrível é perceber que a dor compartilhada é mais eficaz que a sede de justiça ou vingança. A valorização da vida é bem mais importante que o lamento.
O encontro aconteceu no fim da manhã, no Centro de Apoio às Vítimas da Violência, o CEAV. Cerca de 20 pessoas se apresentaram de forma rápida e em poucas frases contaram o que as levaram procurar o grupo chamado, Mães na Dor. Percebi ali pessoas fortes que apesar da dor conseguiam externar um sorriso sincero e no olhar um brilho de esperança. Como se fossem acordar no dia seguinte e perceber que tudo não passou de um sonho. Esperança que a sociedade ainda seja civilizada e que os errados paguem pelos seus erros. Assim, eles querem atenção para que os processos sejam julgados e a dor alivie um pouco. Como disse dona Francisca, mãe de James, morto a pauladas e pedradas em 2008, "a dor da impunidade triplica a dor da perda"
Nessa reunião percebi o quanto é importante pra mim realizar este trabalho. De alguma forma vejo que posso ajudar contando essas histórias pro mundo. Tentando traduzir discursos que jamais devem ser calados, ou abafados.
Ainda não sei se será um curta, ou um longa-metragem, não sei se vai agradar aos professores presentes na minha banca, mas sei que vai agradar e muito a mim e esses pais que queremo gritar por justiça. Mais alto a cada dia.
Agora preciso me reunir com Flaviano Carvalho e decidir quando vamos começar a gravar. Eu quero fazer isso em janeiro. Sei que está perto, mas pra mim, quanto antes melhor.
É, acho que por hoje chega. Quero opiniões acerca deste trabalho. Conto com vocês.
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